Troca de rins entre famílias permite transplante renal inédito entre hospitais no Brasil; entenda

  • 22/07/2026
(Foto: Reprodução)
Santa Casa de Juiz de Fora e USP realizam transplante renal pareado inédito Duas famílias que nunca haviam se encontrado tiveram o destino cruzado por uma troca de rins inédita entre hospitais diferentes no Brasil. O procedimento, realizado entre a Santa Casa de Juiz de Fora e o Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo, permitiu que dois pacientes recebessem um transplante graças à compatibilidade cruzada entre os doadores. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp 🔎 No transplante renal pareado, quando um doador vivo não é compatível com o paciente que pretende ajudar, um sistema busca outra dupla na mesma situação. Se houver compatibilidade cruzada, os doadores trocam os receptores, o que permite que ambos os pacientes sejam transplantados. Segundo especialistas, a modalidade ajuda a ampliar o número de transplantes e a reduzir o tempo de espera por um órgão. A expectativa é que a técnica seja incorporada, no futuro, ao sistema público de transplantes. Como aconteceu o transplante Participaram do procedimento o professor Rafael Veloso, de 40 anos, morador de Belo Horizonte, e a aposentada Dirlene Nunes Parente, de 73 anos, de Brasília. Após perder o rim transplantado da irmã, 19 anos após a doação, Rafael voltou à hemodiálise e passou mais de dois anos à espera de uma nova chance. Nenhum familiar era compatível. "É um desafio [a hemodiálise]. São três vezes por semana, com sessões de quatro horas, além das agulhadas. Você não sabe quanto tempo isso vai durar nem quando vai chegar um rim que lhe dê a oportunidade de ter uma vida tranquila e normal". Já Dirlene, depois de 15 anos de tratamento conservador, iniciou a hemodiálise em 2015. Em 2022, com a perda total da função dos rins, precisou aumentar a frequência das sessões para cinco vezes por semana. Ela permaneceu durante uma década na fila do transplante e também não encontrou compatibilidade entre os familiares. Dirlene Nunes Parente recebeu o transplante aos 73 anos e saiu da fila da hemodiálise Reprodução/TV Integração "Para mim, era muito desgastante ficar 3h30 ligada a uma máquina!", contou. A alternativa surgiu quando o filho de Dirlene, Hugo Parente, conheceu o programa de transplante renal pareado por meio de uma reportagem de TV. Mãe e filho procuraram o Hospital das Clínicas da USP e, após a confirmação da incompatibilidade entre os dois, entraram no programa. Neste caso, a prima de Rafael viajou para São Paulo para doar o rim a Dirlene, enquanto Hugo Parente, filho de Dirlene, realizou a doação na Santa Casa de Juiz de Fora para Rafael. Ana Paula Fernandes, prima de Rafael, doou um rim para Dirlene Reprodução/TV Integração Em apenas duas semanas, foi encontrada uma combinação compatível. A fisioterapeuta Ana Paula Fernandes, prima de Rafael, doou um rim para Dirlene, e Hugo doou um rim para Rafael. As cirurgias ocorreram em maio simultaneamente na Santa Casa de Juiz de Fora e no Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo, com quatro salas cirúrgicas em funcionamento ao mesmo tempo e integração entre as equipes médicas. Projeto ainda depende de autorização judicial Embora seja adotado em diversos países, o transplante renal pareado ainda não é regulamentado no Brasil. O programa é desenvolvido pelo Hospital das Clínicas da USP, dentro de um protocolo de pesquisa aprovado pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq). Cada procedimento precisa de autorização judicial. Rafael Veloso, de 40 anos, recebeu o novo rim em um transplante pareado realizado em Juiz de Fora TV Integração/Reprodução Atualmente, a legislação brasileira permite a doação renal em vida entre parentes de até quarto grau e cônjuges. Quando não existe vínculo familiar, também é necessária autorização da Justiça. De acordo com Elias David Neto, diretor do Serviço de Transplante Renal do Hospital das Clínicas da USP, a regulamentação da modalidade pode ampliar significativamente o acesso aos transplantes com doador vivo. "A adoção do transplante pareado acontece em quase todos os países desenvolvidos do mundo, e, no Brasil, é preciso que alguém mude a lei, dizendo: 'Olha! É possível fazer, desde que não haja comércio de órgãos, para que se possa regulamentar essa atividade sem ser em um projeto de pesquisa'". Santa Casa amplia pioneirismo Cirurgia aconteceu na Santa Casa de Juiz de Fora Santa Casa/Divulgação A Santa Casa de Juiz de Fora foi o primeiro hospital do país a realizar um transplante renal pareado fora do Hospital das Clínicas da USP, em 2024, com um modelo de três pares de doadores e receptores. Agora, a realização do primeiro transplante entre diferentes centros transplantadores marca uma nova etapa da iniciativa. Segundo os especialistas, quanto maior o número de hospitais participantes e de pacientes cadastrados, maiores serão as chances de encontrar doadores compatíveis. Para Rafael, o resultado representa o fim de uma rotina de sessões de hemodiálise e o recomeço da vida. "Estou muito feliz. É um benefício para a população brasileira", disse. Já Dirlene resume o sentimento após o transplante: "Estou com 73 anos. Quando imaginei que faria um transplante nessa idade?". LEIA TAMBÉM: Santa Casa de Juiz de Fora bate recorde de transplantes renais em 2024 Guia de turismo recebe ligação para transplante no topo de serra e é levado de helicóptero pelos bombeiros Justiça autoriza que mulher receba doação de rim de tia de consideração em MG; entenda o caso VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/07/22/troca-de-rins-entre-familias-permite-transplante-renal-inedito-entre-hospitais-no-brasil-entenda.ghtml


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