Relacionamento 'abusivo e tóxico' com o suspeito do crime, diz amiga de estudante de medicina morta com mais de 100 facadas
30/06/2026
(Foto: Reprodução) Estudante de medicina é morta a facadas em Barbacena
Um relacionamento marcado por comportamentos abusivos e tóxicos. É assim que uma amiga da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, que pediu para não ser identificada, descreveu a convivência da jovem com o namorado, suspeito de matá-la. O crime ocorreu no sábado (27), em Barbacena, e chocou os moradores da cidade.
De acordo com a perícia da Polícia Civil, Letícia, de 40 anos, foi atingida por mais de 100 facadas. A informação consta no auto de prisão em flagrante de Gustavo Dutra Lima, ao qual o g1 teve acesso. Após o crime, ele tentou fugir da cidade, mas foi localizado e preso.
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Amiga de Letícia há cerca de 17 anos, ela contou que familiares e amigos ainda tentam lidar com a perda. A amiga descreveu a estudante como uma mulher “doce, batalhadora, responsável e muito dedicada aos dois filhos”.
Segundo a amiga, Letícia estava a cerca de um ano de realizar um dos maiores sonhos da vida: concluir o curso de medicina. “Esse sonho foi interrompido de forma muito brusca”, lamentou.
Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues foi mortas a facadas pelo namorado em Barbacena
Redes Sociais/Reprodução
Conforme a amiga, Gustavo teria tentado despistar a investigação ao simular um roubo. “Eles estavam em uma festividade da faculdade, saíram para jantar com o pai dele e foram para o apartamento dela ainda na sexta-feira. Depois do crime, ele fugiu pela manhã, ligou para amigas dela perguntando onde ela estava e respondeu mensagens se passando pela Letícia. Também levou o celular, a carteira e o cartão dela, escondendo o aparelho dentro do sapato”, relatou.
Ainda segundo a investigação preliminar e a perícia, os ferimentos estavam concentrados principalmente na cabeça, no pescoço e nas costas da vítima. Para a amiga, isso indica que Letícia tentou se defender durante a agressão.
“Ele usou mais de uma faca no crime, porque uma quebrou. Foi uma barbaridade”, disse a amiga.
Gustavo está no presídio de São João del Rei. Em nota, os advogados Marcelo José Cerqueira Chaves e Tatiana Cristina Cavalieri Tomaz da Silva Chaves, responsáveis pela defesa dele, disseram que não vão se manifestar neste momento.
'Não acreditava no que o namorado era capaz'
Segundo a amiga, Letícia e Gustavo se conheceram na faculdade de Medicina. A amiga descreveu o relacionamento como “abusivo e tóxico” e afirmou que ele era manipulador, ciumento e possessivo. Apesar do histórico de violência, Letícia nunca acreditou que o namorado fosse capaz de matá-la.
Ao g1, a amiga também relembrou que Letícia registrou um boletim de ocorrência contra Gustavo em fevereiro deste ano e afirmou que outro episódio de violência já havia ocorrido em agosto do ano passado. Conforme ela, as ameaças aconteciam havia cerca de dois ou três anos, em um relacionamento marcado por términos e reconciliações.
Gustavo Dutra Lima, de 25 anos, é o principal suspeito do feminicídio
Redes Sociais/Reprodução
Nesse período, Letícia chegou a viajar para a Europa. Quando retornou ao Brasil, Gustavo foi ao encontro dela no Rio de Janeiro e pediu que reatassem o relacionamento. De acordo com a amiga de Letícia, ele chegou a ameaçá-la de morte caso ela não aceitasse voltar.
Letícia deixa dois filhos, de 16 e 11 anos. Filha única, ela também havia intensificado os cuidados com a mãe após um AVC hemorrágico sofrido no fim do ano passado.
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