Mini casa na natureza, drones e câmeras: entenda como foi a volta de grupo do maior primata das Américas para a natureza

  • 21/08/2026
(Foto: Reprodução)
Grupo do maior primata das Américas volta à natureza em MG Sete muriquis-do-norte, considerados os maiores primatas das Américas e uma das espécies mais ameaçadas do Brasil, voltaram à natureza após sete anos de manejo e pesquisa em Minas Gerais. Os animais foram soltos no início de agosto, em uma área de Mata Atlântica no entorno do Parque Estadual do Ibitipoca, na Zona da Mata mineira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Antes da soltura, os muriquis passaram por um longo período de preparação na Muriqui House, recinto criado especialmente para a reintrodução da espécie e mantido pelo Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), em Lima Duarte. 'Mini casa' na natureza A etapa final da preparação ocorreu em um recinto construído próximo à floresta. Uma passarela de madeira ligava a estrutura à mata e serviu como caminho para os muriquis deixarem o espaço. Os animais não foram retirados à força. Eles puderam escolher o momento de sair e seguiram voluntariamente. O percurso também foi preparado para registrar cada detalhe da soltura. Câmeras GoPro foram instaladas ao longo da passarela, enquanto drones registraram a movimentação do grupo a partir do alto. Veja no vídeo acima. As imagens ajudaram os pesquisadores a observar o comportamento dos muriquis nos primeiros momentos de volta à natureza. Grupo do maior primata das Américas volta à natureza em Minas Gerais Muriqui House/Divulgação Como foi a soltura A operação foi realizada pelo Muriqui Instituto de Biodiversidade, em parceria com o Ibiti Projeto, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Ibama-MG e o Instituto Estadual de Florestas (IEF). Uma semana antes da soltura dos sete animais, outros três muriquis-do-norte, vindos de Peçanha, no Leste de Minas, também foram reintroduzidos na região. A expectativa é que os dois grupos se encontrem e, no futuro, formem uma nova população, com maior diversidade genética e capacidade de reprodução. Segundo os pesquisadores, a reintrodução exige uma estratégia de conservação de alta complexidade. “É a primeira vez que se ousa formar um grupo de muriquis na mata por meio de um manejo dessa complexidade. Estamos construindo uma história e aprendendo com cada etapa”, afirmou Fabiano Melo, primatólogo, professor da UFV e um dos coordenadores do trabalho. Muriquis durante período no recinto antes de voltar à natureza em Minas Gerais Muriqui House/Divulgação LEIA TAMBÉM: Na luta contra a extinção do maior primata das Américas, conheça ONG que incentiva crescimento dos macacos muriquis em MG O trabalho continua depois da soltura A saída dos muriquis do recinto não encerra o projeto. O acompanhamento dos animais deve continuar para avaliar como eles se adaptam à floresta e como os grupos vão interagir. “Tudo é feito com muito cuidado. Cada decisão é tomada em conjunto, com troca de dados e experiências entre os profissionais. Estamos construindo uma história. Esses passos são também uma oportunidade de aprendizado para futuras iniciativas de conservação”, disse Marcello Nery, presidente do MIB. A expectativa é que outros animais sejam incorporados ao trabalho futuramente, com o objetivo de ampliar a população que começa a se formar na região. Histórico da Muriqui House A história começou em 2017, quando uma fêmea de muriqui, chamada Esmeralda, foi encontrada após sobreviver sozinha durante cinco anos em uma área de mata na região. O resgate marcou o início do trabalho dos pesquisadores do MIB para reunir e proteger os animais. Em 2018, a Muriqui House foi criada em parceria com a Comuna do Ibitipoca. Atualmente, a área conta com seis hectares de mata preservada, onde vivem outros muriquis e são realizados trabalhos de manejo e conservação da espécie. Maior primata das Américas Murqui do projeto Muriqui House em Minas Gerais Muriqui House/Divulgação O muriqui-do-norte é exclusivo da Mata Atlântica e tem características que chamam a atenção tanto pelo comportamento social quanto pela importância para a conservação da floresta. Atualmente, os animais são encontrados em apenas 12 localidades no Sudeste do Brasil, que, juntas, reúnem cerca de mil indivíduos na natureza. Veja alguns fatos sobre o maior primata das Américas: Nome científico: Brachyteles hypoxanthus Habitat: é endêmico da Mata Atlântica e vive principalmente em áreas de floresta Comportamento social: os grupos não têm um macho dominante. Os animais mantêm relações sociais frequentes e os conflitos são, muitas vezes, resolvidos por meio de interações entre os indivíduos. Importância para a floresta: ao se alimentar de frutos e dispersar sementes, o muriqui contribui para a regeneração da Mata Atlântica e para a manutenção de processos ecológicos. Conservação: a espécie está entre os primatas mais ameaçados do Brasil, o que torna ações de proteção, manejo e reintrodução importantes para a manutenção das populações. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/08/21/mini-casa-na-natureza-drones-e-cameras-entenda-como-foi-a-volta-de-grupo-do-maior-primata-das-americas-para-a-natureza.ghtml


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