Informações sigilosas de investigações sobre Banco Master e Vorcaro foram acessadas a partir da delegacia de Juiz de Fora, diz PF

  • 12/09/2026
(Foto: Reprodução)
Vorcaro teve acesso a dados sigilosos do MPF, diz PF Informações sigilosas de investigações da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro teriam sido acessadas do sistema interno da corporação a partir da Delegacia da PF em Juiz de Fora. O ministro André Mendonça retirou, na quinta-feira (10), o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido do presidente do STF, Edson Fachin. De acordo com os documentos liberados pela Suprema Corte, os acessos são a inquéritos relacionados a Vorcaro durante investigação da Operação Compliance Zero, que apurou suspeitas de crimes financeiros e a atuação de uma organização ligada ao banqueiro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp "Não obstante, a evidência acima comprova que a organização criminosa conseguiu realizar, indevidamente, pesquisas no sistema ePol, que é de acesso exclusivo de policiais federais. Diante da gravidade de tal acesso, foi determinada a imediata realização de auditoria nos sistemas da PF, diligência que se encontra em curso e revelou, até agora, que o acesso indevido partiu da Delegacia da Polícia em Juiz de Fora/MG", afirma a PF no documento. Documentos de investigações da Polícia Federal anexados a processos que estão do Supremo Tribunal Federal (STF), com grifos pelo g1 STF/Reprodução Conforme os registros do inquérito, "missões" teriam sido atribuídas ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, cuja última lotação foi na Delegacia da PF em Juiz de Fora. Ele se aposentou em agosto de 2022. Uma das responsabilidades dele era levantar informações de processos judiciais e inquéritos policiais ligados a Vorcaro que tramitavam na PF. Além disso, Marilson é apontado como o líder da "Turma", grupo que, segundo a PF, era composto por policiais que realizava variadas tarefas que seriam predeterminadas por Vorcaro. De acordo com a PF, as ações da "Turma" iriam desde a intimidação de desafetos, até a obtenção ilícita de dados sigilosos. Documentos de investigações da Polícia Federal anexados a processos que estão do Supremo Tribunal Federal (STF), com grifos pelo g1 STF/Reprodução Os documentos apontam que havia "diversos exemplos sobre a atuação da 'Turma' e de Marilson Roseno na obtenção de informações sigilosas, das quais destaca-se o acesso ilícito aos sistemas do Ministério Público Federal, bem como da Polícia Federal". Ainda indica que, pelo trabalho, a "Turma" pode ter recebido até R$ 9,6 milhões para ratear entre os integrantes. "De acordo com a contabilidade apresentada por Sicário a Daniel Vorcaro, o grupo recebia R$ 400 mil por mês, para ser dividido entre 6 membros." Documentos de investigações da Polícia Federal anexados a processos que estão do Supremo Tribunal Federal (STF), com grifos pelo g1 STF/Reprodução Para os investigadores, Sicário é o codinome de Luíz Phillipi Mourão, apontado como integrante do suposto grupo liderado por Vorcaro para monitorar e ameaçar desafetos. Ele também era chamado de Felipe Mourão em mensagens e também aparece com essa grafia em trechos de documentos da PF. Sicário foi preso em março deste ano durante a Operação Compliance Zero e dias depois morreu por suicídio. O g1 procurou a Polícia Federal para saber quem realizou o acesso identificado na Delegacia de Juiz de Fora, quais informações foram consultadas e e o andamento da investigação sobre a atuação de agentes ou ex-agentes da corporação nesse caso. A reportagem não obteve respostas até a última atualização desta matéria. O g1 entrou em contato com Luciano Santos Lopes, advogado de defesa de Marilson Roseno da Silva, que informou que não se manifestará sobre o caso e as manifestações da defesa ocorrerão de forma estrita e exclusiva nos autos dos processos e perante as autoridades competentes. A reportagem também procurou Daniel Leon Bialski, um dos advogados de Daniel Vorcaro, que disse que não comenta o caso. Como a investigação chegou a Juiz de Fora Marilson Roseno, à esquerda, e Daniel Vorcaro, à direita Reprodução De acordo com o relatório, a PF investigava o uso de bancos de dados de órgãos públicos para obter informações sobre investigações sigilosas. O fato que levou os investigadores até Juiz de Fora ocorreu em 15 de setembro de 2025, quando Sicário teria enviado a Daniel Vorcaro uma captura de tela do sistema ePol, de acesso exclusivo da Polícia Federal, com resultados de uma busca pelo nome de Vorcaro. Ainda segundo os documentos, a imagem continha dados e números de inquéritos policiais. A PF, então, realizou uma auditoria interna para identificar a origem da consulta. A investigação apontou que o acesso que gerou as informações partiu de um terminal da Delegacia da Polícia Federal em Juiz de Fora. LEIA TAMBÉM: Grupo comandado por Vorcaro invadiu sistemas restritos de PF, MPF, Interpol e até FBI, aponta investigação Foto de Flávio Bolsonaro com 'Sicário' é divulgada por site; senador diz que nunca viu chefe da milícia privada de Vorcaro VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/09/12/informacoes-sigilosas-de-investigacoes-sobre-banco-master-e-vorcaro-teriam-sido-acessadas-a-partir-da-delegacia-de-juiz-de-fora-diz-pf.ghtml


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