Após morte de companheira, padrasto adota enteada e fortalece laço com filha: 'Ele sempre foi meu paizão'

  • 09/08/2026
(Foto: Reprodução)
Após morte de companheira, padrasto adota enteada e fortalece laço com filha Nem sempre os laços entre pai e filha começam com o nascimento. Às vezes, eles surgem aos poucos: em um colo que acalma, em uma mão que nunca solta, no incentivo para seguir em frente e na certeza de que sempre haverá alguém à espera de braços abertos. Foi assim que a influenciadora digital e bacharel em Direito Lara Bertelli, de 23 anos, moradora de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, viveu a própria infância. Ela cresceu ao lado de Arilson Monteiro, de 43, que chegou à família como padrasto e, após a morte da mãe, em 2015, passou a ocupar ainda mais o lugar de pai. "Eu nunca consegui enxergá-lo de outra forma. Ele sempre foi meu paizão", disse a jovem em entrevista ao g1. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Tímido, Arilson preferiu não dar entrevista. Quem conta essa história é Lara, emocionada ao lembrar de uma relação construída muito antes de qualquer documento. Um encontro que mudou tudo Lara Bertelli, de Juiz de Fora, cresceu ao lado de Arilson Monteiro, que chegou à vida dela como padrasto e se tornou uma figura paterna Arquivo Pessoal A primeira lembrança dessa relação não vem dela, mas de um relato que ouviu tantas vezes do pai - como ela prefere chamar - que acabou parte da própria memória. A mãe havia marcado um encontro com Arilson, porém a babá que ficaria com as filhas desistiu na última hora. Quando ele chegou à casa, encontrou Lara, ainda pequena, aos prantos. "Ele conta que pediu para entrar, sentou ao meu lado e eu simplesmente parei de chorar. Desde aquele momento, a nossa conexão foi muito forte", explicou. A convivência fez o resto. Aos poucos, ele passou a participar da rotina da família e, sem que ninguém precisasse ensinar, Lara começou a chamá-lo de pai. Um pai presente nos pequenos gestos Lara Bertelli ao lado de Arilson Monteiro, que assumiu o papel de pai ainda na infância dela Arquivo Pessoal Ao lembrar da infância, a influenciadora não pensa primeiro nos grandes acontecimentos. O que permanece são os gestos cotidianos. Era Arilson quem a levava para vender rifas quando ela queria comprar o primeiro celular. Ele parava em postos de gasolina, bares e oficinas, além do próprio trabalho, para ajudá-la a vender os bilhetes. Anos depois, quando Lara começou a participar de concursos de modelo, foi o pai quem percorreu lojas em busca de patrocínios, dirigiu por diferentes cidades para levá-la aos ensaios e acompanhou cada etapa daquela nova fase. "Nunca reclamou. Sempre viveu todas as minhas fases comigo. Ele dizia que o maior prazer que tinha era cuidar de mim", completou. Quando o amor virou 'documento' Lara Bertelli tatuou a data de 7 de julho de 2016, dia em que a adoção foi reconhecida pela Justiça Arquivo Pessoal A mãe de Lara morreu quando ela tinha 12 anos. O luto trouxe muitas mudanças, mas não alterou o lugar que Arilson ocupava na vida da menina. Para oficializar o papel que já desempenhava havia anos, ele entrou na Justiça e conseguiu adotá-la em 7 de julho de 2016, data marcada na pele da influenciadora. "Ele nunca soltou a minha mão. Lutou até o fim para ser definitivamente o meu pai". Para ela, a adoção apenas confirmou uma relação que já existia. "Ele sempre foi meu pai". Na época, a jovem ainda tinha o pai biológico, que morreu anos depois. O porto seguro Depois da perda da mãe, Lara encontrou nos estudos uma forma de seguir em frente. Enquanto dedicava horas ao sonho de entrar em uma universidade federal, era o pai quem fazia questão de lembrá-la de que ela não precisava carregar o mundo sozinha. "Nega, como ele me chama, calma. Se não der certo, eu estou aqui. A gente sempre dá um jeito", relembrou. A frase voltou a fazer sentido anos depois, quando ela descobriu a gravidez. Com medo e insegura, encontrou novamente o mesmo acolhimento. "Ele brincou comigo e disse: 'Minha filha, isso é de menos. A gente vai cuidar. Vai fazer tudo o que puder por ela.'" Segundo Lara, foi exatamente isso que aconteceu. Hoje, Arilson continua presente em todos os aspectos da vida da filha. É quem ajuda na parte burocrática do trabalho, resolve problemas do dia a dia e é a primeira pessoa a quem ela recorre. Amor que atravessou gerações Lara Bertelli ao lado de Arilson Monteiro, que assumiu o papel de pai na vida dela desde a infância Arquivo Pessoal Hoje, a história construída entre os dois também se reflete na relação entre Arilson e a neta, de 4 anos. Conhecido como 'vovôzinho', ele é presença constante na vida da menina. "Ela chega na casa dele e vira a rainha. Ele compra os doces que ela gosta, deu um skate para ela e faz todas as vontades. Ela pede para ver o 'vovôzinho' o tempo todo", contou Lara. Ao tentar explicar por que considera Arilson pai, Lara não fala da adoção como primeira lembrança. Ela fala da bondade. "Meu pai ajuda sem olhar a quem. Quando digo que fez por mim o que poucas pessoas fariam, ele responde que qualquer homem faria o mesmo. Mas eu sei que não". LEIA TAMBÉM: Cemitério de Juiz de Fora cria mural de bilhetes para homenagear pais falecidos Comércio de Juiz de Fora amplia horário para o Dia dos Pais Ela também lembra que foi com ele que aprendeu a acreditar nas pessoas, enfrentar desafios e nunca desistir dos próprios sonhos. "Quando perdi a minha mãe, foi ele quem segurou todas as pontas para que eu pudesse estudar, construir minha carreira e enfrentar todos os desafios da vida. Eu nunca precisei passar por nada sozinha porque sabia que tinha ele". Ao olhar para a própria trajetória, Lara conclui que a palavra 'padrasto' nunca foi capaz de definir a relação entre os dois. "Ele é meu herói, meu melhor amigo e meu paizão. Pai não é só quem gera. É quem escolhe estar todos os dias. E ele escolheu estar na minha vida desde que eu era uma criança", finalizou. Lara Bertelli e Arilson Monteiro, que construiu com ela uma relação de pai e filha ao longo dos anos Arquivo Pessoal VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/08/09/apos-morte-de-companheira-padrasto-adota-enteada-e-fortalece-laco-com-filha-ele-sempre-foi-meu-paizao.ghtml


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